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Direito a ter direitos

Já se foi o tempo pra chorar
Não há tempo pra comédias
O povo suou, fez o que fez
E perdemos outra vez
Fala pra mim – quanto tempo brigamos por direito
Fala pra mim – da escuridão ao preconceito
Nos mostre a sua colonização
Nos mostre a sua opressão
Nos mostre a sua emancipação
A do Brasil, e a dos negros
Quero lhe mostrar a nossa fúria
Com movimentos e revoltas
Queremos lhe dar nossa resposta
Com pau, pedra e obras
[continua]
Escrito por Ariane às 12h07
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A revolta de Beckman, a guerra dos mascates,
A Inconfidência Mineira, a Conjuração dos Alfaiates,
A Confederação do Equador, a Revolução Farroupilha,
A Cabanada, A Balaiada
A Praieira e Sabinada
Mas quem é quem sabe?
Eu não sei. Você não sabe...
É só Deus quem sabe...
Nós não temos direito a terra
Só o povo da Europa
Reforma agrária na lei e na marra
As greves começam mostrar sua cara
[continua]
Escrito por Ariane às 12h06
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Direito a ter Direitos
Movimentos sociais, faixas erguidas
E o povo marchando atrás
Mas você os calou
Você me fez calar...
O golpe foi militar...
Depois de tudo isso e com a boca fechada
Fecho a boca de quem me abraça
Com um beijo seco de tanto gritar...
“DIREITOS JÁ!!”
Universo Nebuloso
Escrito por Ariane às 12h06
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O BEIJO I
Bendita morte
Que enlutece a alma
E embrutece o ser
Maldita sorte
Morre-se todo dia
E em cada um, um pouco
Não se morre só o corpo
Matéria.
Bendita morte
Que esvazia e nos deixa neutros
A sorte
Que acena caminhos
Perigosos, imprudentes
Não se iluda com a paisagem
Banais miragens
De olhos pouco sagazes
Cor de cajá.
Bendita morte
A afastar dos perigos
Finalizar o desejo
Contido
O Beijo roubado
Numa cena patética
Etílica por disfarce
Maldita sorte
De quem tem por destino
O desatino de apenas sonhar
E essa maldita morte, que sorte !
[continua]
Escrito por Ariane às 17h41
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O BEIJO II
Irracional desejo
Que se instala sutil
Entre o ir e vir
Num exíguo espaço
Um minúsculo tempo
E desembocar num Beijo.
O BEIJO III
A febre de fim-de-semana
Explicou-se afinal
Foi o Beijo roubado
Desejado
Por um só lado ansiado
Recolher-se em si mesma
Fechar-se em concha
Gemer baixinho
Desejar o carinho
Esquálidos dedos
Precisos toques
Boca convidativa
A mover-se sensual
Na mente
Ali à sua frente
Semente plantada
De um amanhã
Estéril
Que não deu em nada
Não vingou
Não nascerá.
[continua]
Escrito por Ariane às 17h40
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O BEIJO IV
Nada foi dito
Confusas cenas
Indefinidos lamentos
Concretos desejos
Entre nós
Uma vontade voraz
E o Beijo
Intimidade
Que arde
No alarde do não realizar
Terreno arenoso
Inóspito
Não brotou
O fruto secou
Sequer germinou
Avançar o sinal
(É morte)
Ou multa na certa
Afinal o que é certo
Sufocar sentimentos
Esquecer o momento
Pois ele apenas foi
Restou apenas
Computar a dor
O mau uso da alegria espontânea
Que invadiu
Um dia o peito
Num final de agosto
Suposto iniciar.
*Boca*
Após visitar a exposição de Auguste Rodin, no Espaço Cultural Dragão do Mar em Fortaleza - CE.
Escrito por Ariane às 17h38
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VOCÊ, MINHA CHUVA...

Você veio com a chuva,
visitante efêmero de certa manhã...
Você veio com a chuva,
gotas insistentes, fustigou meu corpo...
Você veio com a chuva,
molhando o dia, regou meu sorriso...
Você veio com a chuva,
hidratando a terra e o coração...
Chuva insistente, transforma a terra,
floresce a alma, colore a vida...
Chuva fascinante, inunda a calma,
apaga o sorriso, destrói os sonhos...
Você se foi com a chuva,
transformada em lágrimas, dilacerou a alma...
Você se foi com a chuva,
molhando meu sorriso, me deixou a sombra...
Você se foi com a chuva,
ficando o silêncio, me restou a espera...
De: Melpômene
Para: Wolf
24.04.2002
Escrito por Ariane às 23h41
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DIVISÃO

Tenho um espelho fantástico.
Nele me vejo em uma, duas,
mil faces sobrepostas, completas,
como se ele estivesse partido,
repetindo em cada fragmento
um mesmo e só rosto,
que, afinal, não é o meu.
Serei múltipla por fora,
quanto por dentro me sinto?
Onde está o fio único,
central, verdadeiro,
que me realiza a suma?
Onde encontrar o ponto,
o local secreto, real,
do prumo que me levanta?
Que dicotomias tão falsas
são essas em que me espelho?
No entanto, vivo-as todas,
num malabarismo consciente,
numa espiral delirante,
cada vez menos confiante
de me encontrar realmente.
Tarsila
Escrito por Ariane às 08h32
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Eu fui feita pra correr solta nos campos
com o cabelo em desalinho no rosto,
e o vento me acariciando.
Eu fui feita pra tirar "manga-espada",
madura no pé,
sentar-me sob seus frondosos galhos
e chupá-la com gosto sem saciedade
e, sem pressa,
deixar escorrer por entre os dedos
o líquido amarelo e passar minha língua com gula.
Eu fui feita para, se me der vontade,
Fugir para Bonito,
tirar a roupa e, nua,
jogar-me nos riachos cristalinos
resultantes das belas cachoeiras,
dispersas com a métrica e a lógica da natureza.
Eu fui feita para, se me der vontade,
sair na madrugada,
varar Olinda em sua beira-mar,
vagar a esmo,
só pra ver a abóbada celeste mudar de cor.
[continua]
Escrito por Ariane às 20h54
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Eu fui feita para, se me der vontade,
permanecer sob as cobertas até achar que já valeu meu canto.
Eu fui feita para, quando o céu chorar,
ficar de pé no meio da sala
e observar suas lágrimas lavarem as vidraças da minha varanda.
E as paredes da minha alma.
Eu fui feita para ficar imóvel,
vigiando o silêncio do meu canto-jardim,
enquanto beija-flores sugam das flores de mentira
(e beijam as flores de verdade),
a sacarose plantada por mim
e vão embora felizes.
Eu fui feita para, se me der vontade,
esfregar oferecidamente meu sexo
no sexo do meu homem.
Eu fui feita, para distraidamente,
derramar vinho nos meus seios
e nessa taça, sequioso, Boca, lábios, língua
desse homem me sorver.
E vai sorvendo...
sorvendo...
até beber-me as entranhas!
[continua]
Escrito por Ariane às 20h54
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Eu fui feita para, despudoradamente, cravar as unhas em sua carne,
dorso.
E deixar minha assinatura.
O registro dessa vontade e cobiça.
Eu fui feita para mergulhar no seu prazer
e no denso jorro d' água me afogar.
Eu fui feita para que meu escolhido se faça morar em todos os meus recônditos.
Que o lençol da minha pele misture-se com o suor do nosso gozo.
Nem sei porque sou desejo
"sempiterna".
*Boca* - Olinda (PE), 12.06.04
( 11h04 min.)
Escrito por Ariane às 20h52
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Marketing

Meu mundo é uma imensa tribo
cercada de outdoors
de mulheres nuas, mostrando os dentes
e os signos por trás dos dentes.
Povoou-se meu mundo de deuses
mais cruéis que os do Olimpo,
exigentes de holocaustos, sacrifícios,
imolações e dietas.
Fecha-se o cerco do homem
nas mãos de ferro da mídia,
na propaganda demente
assassina dos seres em grão.
Estendem-se os cultos e as velas
por mim favores de Zeus,
em busca da forma perfeita
de formar a carne vazia.
É preciso urgente
possuir o que se esvai
nas coisas, no corpo, na mente.
Caminhando nas próprias cinzas
a multidão se compacta
unida no mesmo bordão
do pacto implícito e pio.
Prostra-se ante o barro
de onde se originou,
nele se enlameia e se ergue,
se crendo sã e ungida.
O homem se multiplicou,
em tantos se tornou,
pela lei do mercado,
se desvalorizou.
Tarsila
Escrito por Ariane às 22h54
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Ciclo

Para permitir amar-me não necessito transgredir ou fugir. Olhar de frente talvez seja um pouco mais assustador e menos romântico, porém sustenta meu coração à tona, mantendo sua função de sentir o toque das coisas em mim.
Ao espírito, nutrição deve ir além dos velhos hábitos e dos cheiros conhecidos. Às vezes as dores não valem a pena sob a égide de crescer tão sem naturalidade.
Para se estar só basta estar só. E não é preciso, necessariamente, amputar também o que restou para sobreviver. Por mais incômodo que seja um coto, ele é parte de um corpo e ainda que seja raso, merece respeito e gratidão, no mínimo pela coragem de mostrar-se e, no máximo, pelo esforço de tentar ser útil para qualquer movimento que modifique e melhore a minha imobilizada paisagem interior.
Viver com o coração feliz e acatar, com a alma quieta a realidade, pode representar passaporte para, afinal, aceitar-me libertária de minha própria alma, de minha condição.
É amor também harmonizar pólos, na conjugação absoluta de similarizá-los, cada qual com seu encanto de ímpar e sua própria natureza de par.
Nesta minha luta para reencontrar o que nasci sabendo e perdi ao longo do caminho, não sei por quanto tempo permanecerei aquecida no que parece, à sua maneira, ser um colo generoso e farto do que agora me chamam maturidade.
Doeu muito crescer, apagam-se um pouco as luzes é certo, porém na penumbra se ouvem as vozes que, anônimas, podem ser sábias. São os nossos velhinhos chineses; nossos chinelos preteridos pelos saltos; nossa chuva interior tão cheia de raivas e trovões; nossa essência e nossa criança que, de repente, não precisam mais gritar... aprenderam que estar e manifestar-se é o suficiente para ter voz e vez.
Minha criança cresceu, arribou, suas asas estão finalmente cumprindo seu tributo de fazer voar. Não para o sonho, mas para desfrutar o mundo, juntas, parceiras para viver ou morrer... mulher... em paz..........................
Tê Soares
Escrito por Ariane às 15h11
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