UNIVERSALIDADE

Não te importa a minha dor,
nem quantos cigarros eu fumo,
não te interessa a minha alma,
nem mesmo meu sábio conselho.
Mas te cativa o nosso comum
tropeço, enrosco, embaraço
nas trilhas em que inevitáveis pisamos.
O que olhamos tem formato distinto,
tem causa e razão diferentes,
porém forçoso é que olhemos.
Se eu cantar o que tens em germe,
em alerta te postarás,
em uníssono me acompanharás,
inconsciente talvez do meu canto.
Ponho em tanto meu intento
de alvoroçar o silêncio
do que guardamos calado,
e igualado por nossa mesma condição.
Só assim me ouves,
tu, que és o outro,
que és no fundo eu mesma,
nesta precária desigualdade.
Dora Vilela
Escrito por Ariane às 12h48
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