CREDO

Creio no largo, no extenso,
no ilimitado, no profundo
profundamente grande.
Creio no riso solto,
na amplidão de um braço dadivoso,
na garganta do tenor
na ária aguda e vibrante,
no estremecer das mãos
ao contato com o calor,
nos sobressaltos da paixão
voltada ao infinito,
nas lágrimas abundantes
livres do lenço mesquinho.
Creio na sofreguidão
dos lábios que se procuram,
na força das palavras,
no verbo fremente.
Creio nos encontros
abertamente desejados,
na alma dilatada
por gratas lembranças,
na imensidão do desejo
a buscar o mistério.
E creio em tudo
que se alastra no amor,
em tudo que se entrega no total,
na ânsia de tudo provar.
Porque toda vibração
produz vida
e vida é grandeza de horizonte
e é mergulho vertical
e é a explosão do grito preso,
do início ao fim.
Dora Vilela
Escrito por Ariane às 21h44
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MODERNIDADE

Não entendo o tempo presente.
Com minha alma medieval,
escura, ambígua, incerta,
vasculho os simbolismos,
tentando me enveredar,
nisto, em que sinto um abismo,
tempo moderno, asséptico, jovial.
Tudo é tão simples, banal,
o mistério não tem mais onde encostar,
no coletivo e no social vai se instalar...
_ Mais me incitam os rolos de pergaminhos,
que as claras teclas do computador_
Paradoxo, contra-senso,
não vejo senso no homem,
que deixa de se interrogar.
Consumismo, conformismo,
a moda é massificar.
Que é da interiorização,
do mergulho na beleza,
na tontura, na pureza
de se ser um, único e só?
Minha alma é antiga e moderna,
já que eterna ela nasceu.
Tempo antigo me persegue,
tempo moderno é o meu.
Estou nele, me conformo,
mas, se me escapo, vivo lá.
Dora Vilela
Escrito por Ariane às 22h16
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