INEVITÁVEL

As pessoas passam na calçada,
pisam o chão que não é mais solo,
e não tocam a sua semente.
O progresso é o senhor dos tempos,
e propõe novas dimensões.
Minha mão toca o espaço entre os homens
e agarra o ar denso das sensações indizíveis.
Uma orquestração se ergue
dos sons ainda desencontrados.
Cruzamentos sem sentido
para as máquinas que conduzem homens,
luzes simétricas, mensagens convulsivas
que escorrem para o supérfluo.
Máscaras cansadas, falas exaustas,
saudades do próprio ser...
Onde me escondi,
onde se escondeu o princípio
de tantas armações e molduras?
Imposições tão desapercebidas,
mas as pessoas prosseguem,
desprovidas de suas armas ancestrais.
Sigo, também, solidária e amiga,
sem fibra e sem ossos.
Minhas ofertas se perderam
e falharam na meta longínqua.
Doei meus sonhos, emprestei minha lança,
meu rumo apaguei e me fiz feliz.
Falo às pessoas e apenas as amo.
Dora Vilela
Escrito por Dora às 13h21
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