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Beatlemania

Ouvia os Beatles,
e me punha afoita
a comprar discos,
em decorar letras.
Distribuía as canções
para cada intenção de momento.
Nesta fenomenologia,
encaixei Beatles,
noite e dia.
Dormi com o quarteto,
nas paredes do meu quarto.
Chorei Lennon morto,
mais que podia imaginar.
Depois me acostumei,
e não mais me importei
com o trabalho do tempo
que me levou os demais.
Necessito ouvir os Beatles,
a completar minhas lacunas.
No momento que me falta
a canção órfã de pais,
recrio o conjunto inteiro,
chamo os mortos,
canto junto....
E eles voltam
se remoçam,
nas paredes do meu quarto,
nos meus dias,
meus momentos,
meus meninos
imortais.
Escrito por Dora às 22h22
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Viagem

Já retornei
das mil vezes que parti,
e me tornei harmônica.
Vi menino se fazer gente,
e gente se perder.
Soltei as amarras,
velejei correntes,
descobri rumos, veredas,
voei arribações,
nada me escapando
dos redemoinhos
que o vento espalha.
Religuei as diferenças,
e interferi nas crenças.
Ouvi cantigas de além-mar,
sofri vivências de estranhamento.
Entrevi a raiz dos ódios,
e os encontros desiguais.
Sonhei reuniões impossíveis,
divaguei nas unidades.
Fiz cálculos de amor,
nas linhas dos caminhos,.
Acreditei nas utopias,
e as escolhi de souvenirs.
Dora Vilela
Escrito por Dora às 20h16
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DIVERSIDADE
Escrever me esconde,
às vezes.
de música, eu falo,
de gente, eu gosto,
dançar me diverte,
e no poema, me perco...
comer salada verde,
soltar cabelo ao vento,
brincar de ser gente,
quanta risada me escapa
da timidez dos enamorados,
só choro de manso,
no escuro do quarto,
na paz, me agito,
no sonho, deliro,
e no medo, grito.
Na morte, quem sabe?
Revivo!
Dora Vilela
Escrito por Dora às 13h37
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CRIAÇÃO

Tarde de sol preguiçoso,
pouca propícia aos vôos altos,
e é nela que organizo meus
planos, ainda que parcos e egoístas.
Ao redor, vida rasteira,
cozida de poucos fenômenos
e plena de sonhos anônimos.
Num odor de refeição,
num palmo de canteiro florido,
num canto de parede sem reboco,
os desejos embotados se colorem...
O pensamento fabricando o que é feito de vácuo,
delineando vagarosamente os contornos.
preenchendo os vazios com as cores fortes,
inventando os desnecessários e os impossíveis.
Dora Vilela
Escrito por Dora às 10h28
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