DESISTINDO

Caminho pelas ruas,
em ritmo de dança,
requebrando sem som,
a música me canta dentro,
e a cadência me chega do vento.
Aceitei o chamado da brisa,
atendi ao convite da vida.
Feliz, saboreio o fruto da árvore,
fruto que mal entrevisto.
A dádiva verde
me acolhe em doçuras.
Sento-me no banco duro,
e,no gesto do aprumo,
interrompo o pensamento.
A cidade se espalha
em burburinho ao meu lado.
Ofereço meu olhar
de energia tão solidária.
Todo passante tem rosto
e a sombra que o vela.
Minha preferência se encolhe
na preferência das pedras.
Meu reino é de um mundo ignoto,
de onde trouxe o coraçào.
Abro os olhos de novidade,
esqueço as notícias de lá.
Meu passo não dança mais
e meu corpo recolhe a canção.
Escrito por Dora às 22h31
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