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ESCOLHAS

Não posso cantar as ruas,
não as vejo, nem demoro
nelas o meu sentido,
nem as céleres avenidas,
ou as mortes-auto-estradas
são meu percurso na vida.
Não enxergo as galerias,
bulevares e esplanadas,
deslizo por baixo das pontes,
sobrevôo os viadutos,
não passeio em passeios públicos,
e abomino os lugares comuns,
me fecho ante as vias todas
que me levam onde é prá ir.
Antes, as trilhas ceifadas,
cortadas nos canaviais,
os atalhos serpenteados,
as sendas dos vendavais,
na rota das ondas,
nas margens dos rios,
meus pés já me contam
o ansiado caminho.
Dora Vilela
Escrito por Dora às 20h24
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PODER MUSICAL

Na boca do tempo,
clamando, em alerta,
sinfonicamente,
absorvendo o ar,
ele vem, manso,
meu artista do som.
Escolhe meu ouvido,
anatomia mais desprevenida,
entra, sem licença,
inebria, não se desculpa,
fico atônita, sem cronologia,
renasço, transcendo,
me entrego, me rendo,
não há pensamento.
Eternidade, tens nome, enfim.
Dora Vilela
Escrito por Dora às 14h24
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ECOS

Permaneço em mim,
quando me aparto de todos.
Reconheço-me nos exteriores
e me apóio neles.
Conduzo-os e os filtro,
e os amalgamo.
Brilho na minha escuridão,
me apalpo,
me ganho,
nos meus labirintos,
uso o lume de fora.
Os outros são meus lábios mudos
a falar minha linguagem.
Referências que me equacionam
e que decodifico em mim.
Dora Vilela
Escrito por Dora às 10h01
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